Poemas dos riodocenses

Saudades de Rio Doce

Vanda de Freitas Gallinari

Rio Doce , cidade querida,
onde a igreja, no alto erguida,
ampara teus filhos,
consola teus prantos,

Andas cheia de saudades...
perdeste muitos filhos queridos,
riodocenses ilustres
que deixaram em ti
as marcas da gloria.

O teu jardim florido
ainda guarda lembranças,
traz esperanças,
mas a lua cheia caminha distante,
à procura de tuas serestas
e amizades perdidas.

Mas nem tudo está perdido.
as tuas doces águas, agora represadas,
devolvem a ti fartos recursos
nunca vistos e vividos antes
em toda a tua história.

Aproveita, então,
este novo momento de tua trajetória
para elevar-te a honra
e preservar-te a glória,
mas não te esqueças nunca
de teus filhos ausentes,
riodocenses ilustres
que, com escassos recursos,
souberam fazer de ti
uma cidade de gente,
uma cidade diferente.

Rio Doce: Doces Amores, amargas dores

Por Eduardo Natali

Pingos de Chuva no telhado
Ruas Desertas de uma noite de verão
Passos rastejantes, fatigados
Pelos calçamentos molhados
Do misterioso Rincão
Parece que a brisa noturna fala algo
Vozes de pessoas que neste chão pisaram
Trabalharam, suaram, construíram
O futuro-presente que vivemos
Como nós hoje o fazemos
Ontem eles amaram, choraram
Sofreram desilusões
Hoje também o fazemos
Assim é o nosso Doce Rio Doce
Ontem, rezavam, cantavam, louvavam
Hoje também o fazemos
Amamos sem ser correspondidos
Ficamos arrependidos
Falam mal da gente
Ficamos estressados
Assim é o Rio Doce, rincão querido
De amigos fiéis, transeuntes fingidos
Povo sofrido, mas povo querido
Cada passo por estas doces ruas
Desertas quietas
Mentalmente, lembro sua bonita história
Tudo se mistura
Trem de ferro, rainha da fogueira
Santo Antônio, Sant’ Ana, Nossa Senhora!
Perco-me em sua estrada
Que loucura
Preciso de uma benção nesta procissão
Para continuar a caminhada
Como prometi ao bom José
Antônio, Virginia, Senadores...
Todos, aí de cima
Que vêem nossas dores
De um povo humilde
Mas que faz história
E bonita história
Arquivada para sempre
Em livros, acervo, arquivo, estante
Mas também em nossa memória
Olá pessoal! Um lindo poema sobre nossa terra. Este poema é da nossa amiga e conterrânea Célia Leandro que reside atualmente em Juiz de Fora - MG.


RIO DOCE

Célia Leandro - Poema do seu livro "Além dos sonhos"

Seus montes, sua beleza.
As árvores, seu encanto.
As casas, seus olhos.
As pessoas, sua vida...
Pareces sair do livro 
das “Mil e uma noites”,
Por ser fantástica e aconchegante.
Seus montes, uma eterna imensidão.
Que não cabe apenas aos olhos
Mas também ao coração.
Suas manhãs, partidas
De gente que trabalha,
Que trabalha pra vencer.
Gente, que faz dessa cidade,
Que luta pelos seus.
À tarde,  gente que chega.
Gente cansada de tanto trabalhar.
Gente que se recolhe com o pôr-do-sol
E juntos a passear pela pequena praça,
Pelo coração da cidade...
À noite, estudantes para o colégio,
Homens nos bares a conversar, a beber,
Falando das mesmas coisas;
De moças, dos filhos,
De política, de religião,
De sonhos e de ideais...
Nas igrejas, as beatas vivem a rezar
Nas contas a “Ave Maria” proclamar
E em cada rosário um oferecimento a dar
A jovens, a pais e a tantos mais.
Nas casas as novelas, única atração
Daqueles que durante o dia
Ficaram a trabalhar.
E à meia-noite, tudo fica em silêncio,
Tudo pára.
E aí, pode-se notar a paz,
A tranqüilidade do céu estrelado...
Ah! Rio Doce amado!