História da Ferrovia em Rio Doce - Como e quando tudo começou
O Município de Rio Doce situa-se na região sudeste da Zona da Mata, microrregião de Ponte Nova, em Minas Gerais. Sua formação urbana está intimamente ligada à construção da Estrada de Ferro Leopoldina Railway e da Estação Ferroviária de Rio Doce. O povoamento da região que hoje pertence ao município iniciou-se, entretanto, no fim do século XVII, a partir das bandeiras.
A Estrada de Ferro Leopoldina foi fundada em 1871 quando o governo imperial concedeu o privilégio para a construção de uma linha férrea para atender do Porto Novo Cunha, em Além do Paraíba, Minas Gerais, até a cidade de Leopoldina. Esta estrada recebeu o nome de Estrada de Ferro Leopoldina Railway, anexando parte da precedente Estrada de Ferro Cantagalo em 1877 e o restante em 1890.
Em 1861 o Sr. Antônio da Conceição Saraiva foi contratado pela empreiteira responsável pela construção da Estrada de Ferro, em Minas Gerais, vindo se estabelecer na atual região do Município de Rio Doce, próximo à Ponte do Soberbo. Nesta região já havia uma pequena ocupação, formada pela capela e algumas residências, em sua maioria pertencente à família Torres. Antônio Saraiva, acompanhado dos engenheiros responsáveis pela estrada de ferro, elaboraram uma planta para o povoado. Traçaram um extenso adro para a capela, uma série de nove lotes de mesmo tamanho, à Margem direita do Córrego das Lages; determinaram a localização da futura Estação Ferroviária e a posição para implantação dos trilhos da estrada de ferro. No núcleo urbano, foi construída a capela de Santo Antônio do Rio Doce, com escritura assinada por Antônio da Conceição Saraiva, em 20 de abril de 1885.
Em 21 de dezembro de 1885 é concluída a construção da Estação Ferroviária de Rio Doce.
Em 25 de junho de 1885 foi inaugurada a Estação da Estrada de Ferro Leopoldina em Ponte Nova e no dia 30 do mesmo mês o trecho da estrada Ponte Nova – Chopotó. Em 20 de setembro de 1886 foi inaugurada a Estação de Rio Doce, nome depois dado ao município, e em 6 de dezembro deste mesmo ano foi inaugurado o trecho da Estrada de Ferro entre Chopotó-Rio Doce, pertencente ao ramal Dom Silvério.
Em 30 de junho de 1886 foi inaugurado o trecho da estrada de ferro entre Ponte Nova e Chopotó. Em 06 de dezembro de 1886 iniciou-se o funcionamento do trecho que liga Chopotó a Rio Doce. A abertura da estrada de ferro incentivou e intensificou a ocupação e o desenvolvimento do centro urbano de Rio Doce.
No início de 1887, mais precisamente no dia 20 de fevereiro, passou a funcionar o trecho da estrada de Rio Doce à Saúde, atual Dom Silvério, com cerca de 27 quilômetros de extensão. Após a inauguração desse trecho, a Estrada de Ferro Leopoldina retardou suas obras de lançamento dos trilhos a partir de Saúde, temerosa com os rumos dos acontecimentos políticos que desencadearam na proclamação da República em 1889.
“O ramal de Saúde - depois Ramal de Dom Silvério foi entregue ao tráfego nos anos de 1886 e 1887, com ponto terminal em Saúde (Dom Silvério). Era a continuação da linha que vinha de Ubá e Ponte Nova, mas com a entrega, em 1916, da linha Ponte Nova-Matipó (Raul Soares), o trecho Ponte Nova-Saúde passou a ser considerado um ramal.” (Ralph Menucci Giesbrecht, Estações Ferroviárias do Brasil – www.estacoesferroviarias.com.br)
Apesar da diminuição no ritmo da expansão da Estrada de Ferro Leopoldina, a Estação de Rio Doce adquiriu grande destaque na região, contribuindo para a vinda de imigrantes estrangeiros que se estabeleceram em busca de trabalho. A Estação favoreceu também o escoamento da produção agrícola, incentivando a expansão do comércio na vila, além implantação de hotel e fábrica de bebidas que visavam atender à população em intenso crescimento. No início dos anos 40 a população do ainda distrito de Rio Doce alcançou seu auge, atingindo um total de 4258 pessoas, sendo 3231 na área rural e 1027 na sede.
Durante os seus 85 anos de funcionamento o edifício da Estação abrigou um depósito das cargas provenientes do escoamento da produção que seriam distribuídas em outras localidades. O cômodo ao lado era usado como bilheteria, onde se vendiam tíquetes de passagens e a área a seguir servia como morada dos funcionários da Companhia Ferroviária.
Com a expansão das estradas de rodagem, diminui o interesse pelo transporte ferroviário desencadeando o fechamento ao público, pela Rede Ferroviária Federal, do Ramal Ferroviário Ponte-Nova-Dom Silvério, em 26 de agosto de 1969. Esta paralisação deveu-se ao fato de que o frete arrecadado com as cargas embarcadas tornara-se tão baixo que não conseguia cobrir os custos do percurso. Em 28 de agosto de 1971, ocorreu a desativação completa da linha, acompanhada da retração do potencial produtivo da região.