O teatro do meu Vô Nico

Quem não conheceu seu Nico Basílio?  Para mim, aquela doce figura de “VÔ” era muito especial! Na minha mente, o vejo caminhando de pés descalços pelas ruas, com varas de anzol pelo ombro e um embornal à tira-colo... Posso vê-lo também se equilibrando em toscas escadas de madeira, trabalhando de pintor ou pedreiro!       

Mas, era também, um DRAMATURGO inato, completo: escrevia as peças(estilo melodramas) , coordenava os ensaios e participava das mesmas! OH! Aqueles cenários... elaborados por ele e meu pai lá no porão! Sacos de cimento, emendados com grude e pintados com tinta feita de alvaiade e colorantes naturais. Dalí, saíam os cenários com belas paisagens... praças e coretos! Que artistas! As cortinas, de chitão bem florido, que depois transformados em vestidos, saias para minhas tias que desfilavam pelas ruas como troféus vivos! O local do teatro era um salão onde ficava a máquina de limpar café do Sr. Augusto Pereira; e, quem ia ao teatro, levava sua cadeira ou banco. Lembro-me de ter participado de um quadro, onde, dentro de um barco, cantamos “BARCAROLA”  (dos contos de Hoffman)! Paixão pela arte! Sinto muito orgulho de ser sua neta , como também herdado dele , a arte de fazer TEATRO!

Antonio Saraiva Gomes, filho de  Antonio Augusto Gomes e Eulália Saraiva, filha de Achiles Barnabeau e Virginie Saraiva Schimidt.

(Dados passados pelo Prof.Barreto em consultando seus preciosos livros) 

Maria José (Filhinha)

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