Coluna do Barreto - 6ª edição - 06 de janeiro de 2010.

Amigos Juninho e Gugu,

Estava aqui sozinho em minha humilde mansão, conversando com meu anjo da guarda. Ele, o anjo, me lembrava de que, de gente bem intencionada, o inferno anda cheio...

Matutei: Rio Doce tem valor simbólico imenso para mim, menos por aí ter nascido, mais por ser a terra de minha mãe, da maioria dos irmãos e irmãs dela, de cinco de meus irmãos e de muitos primos também; menos por ter sido palco de meu batisado, de um atropelamento, da primeira comunhão, mais por ter sido cenário de histórias que ouvi desde criança e ouço ainda em reuniões familiares; menos por estarem aí enterrados muitos de meus mortos, alguns muito amados, outros que nem cheguei a conhecer, mais por lembranças soltas, que carrego comigo por razões que não sei nem meu anjo deve saber, como a de um negro chamado ou apelidado Mané Baú,  de um menino chamado Paulinho, de uma dona Sinhá Cerqueira, ele talvez portador da hoje chamada síndrome de Down, de dois coqueiros em frente à casa de uma dona Sinhazinha do Chalé, que nem sei direito quem é, e  de coqueiros também em frente à igreja.

Minha Rio Doce, como podem ver, é mítica e atemporal, só existe em minha mente, em meu coração e em meus sonhos, alguns, vê se pode isso, relacionados com o futuro! Sou quase um “riodocense de mentirinha”....

Estou querendo dizer-lhes (e de público) que, neste domingo chuvoso, depois de ter recebido a visita muito gostosa de um amigo “riodocense de verdade”, que meu anjo da guarda me mandou parar e pensar: acho que estou ocupando um espaço que não me pertence no “site” criado por vocês, quando há tanta gente que, como o amigo que me visitou e outros e outras, têm muito mais o que dizer aos conterrâneos, muito mais capacidade e condições de entender-lhes os sonhos e necessidades, muito mais sensibilidade, que eu, para escrever-lhes e dizer-lhes o que querem ler e ouvir.

Argumentei com o anjo que fui convidado, que não me ofereci. Mas ele, em sua angélica sabedoria com que não posso deixar de concordar, me aconselha a dizer-lhes que convidem riodocenses de verdade para ocuparem o meu lugar e me permitam ser apenas leitor deles e visitante assíduo do www.riodocenanet.
Tenho convivido com a desagradável sensação de estar sendo injusto com algumas pessoas, de estar falando sozinho e, pior, de estar dando palpites a quem não os pediu e talvez nem esteja interessado em ouvi-los.
Fique claro que não estou “pedindo demissão”: continuo muito agradecido e honrado pelo convite.
Contem comigo sempre e segurem: a peteca agora é de vocês.

E tenham todos os riodocenses, os reais (sem trocadilho) e os “de mentirinha”, onde estiverem, um produtivo e tranquilo 2010.

José Alberto Barreto