Coluna do Barreto - 3ª edição - 08 de dezembro de 2009

Em um encontro sobre turismo, realizado no Clube de Rio Doce, para o qual tive a honra de ser convidado, um dos palestrantes, o Túlio, falou da criação, um dia (e quanto mais depressa, melhor), de um Memorial de nossa cidade, local de guarda, preservação e estudo de objetos, documentos, fotografias, livros, lembranças de fatos e pessoas que fazem parte de nosso patrimônio comum.
Muita coisa está guardada, geralmente aos cuidados de pessoas menos jovens, como lembranças pessoais. Tudo isso pode ser perdido e até destruído quando os seus guardiões partirem e suas preciosidades não forem reconhecidas como tais (vamos jogar tudo fora,  tadinho do vovô, quanta bagulhada ele juntou!). Visitem e conversem, por exemplo, com velhos ferroviários e seus familiares.

A valiosíssima biblioteca deixada pelo Cônego Trindade estava sendo queimada por herdeiros despreparados que queriam “desocupar espaço”. Só não se perdeu tudo porque chegou a tempo de acabar com o incêndio uma sobrinha dele, que sabia do valor do que se estava queimando!

Quando percorri a pé o Caminho de São José, com amigos e parentes, acampamos na Fazenda do Marimbondo que, pouco tempo depois, foi demolida. Na casa abandonada, havia pouca coisa, mas me chamaram particularmente a atenção um belo móvel, tipo cristaleira, cheia de livros, retratos, cartas...) estragando-se em um canto e, na varanda, uma carteira escolar de outros tempos, com um furo onde se colocava o tinteiro (vidro contendo tinta, explico aos mais novos) para molhar as “penas” com que se escrevia. “Minha mãe lecionou aqui”, pensei comovido, “esta carteira pode ter sido usada por alunos dela”... E por quantos alunos, de quantas professoras?

Que fim levaram o bonito móvel e a preciosa carteira? Quem for dono delas hoje, concordaria em ceder os dois para “nosso” Memorial?

E você e sua família, deixariam para a Rio Doce permanente (porque nós todos, os riodocenses, somos transitórios, transeuntes) o que lhes parecesse digno do acervo de um Memorial?
Atitude nem sempre fácil, porque essa cessão exige, além de desprendimento, conhecimento, cultura, sensibilidade, amor...