Coluna do Barreto - 2ª Edição - 25 de novembro de 2009.

Ney Matogrosso, o artista, todos conhecemos. Gosto de uma música pouco conhecida, gravada por ele, pois me faz pensar em Rio Doce, só porque fala em trem de ferro da Leopoldina. O título é “Tem gente com fome” e a letra, é de João Ricardo e Solano Trindade, é assim:

Trem sujo da Leopoldina/ Correndo, correndo, parece dizer:/ Tem gente com fome, tem gente com fome/ Tem gente com fome, tem gente com fome/ Tem gente com fome, tem gente com fome/ Tem gente com fome

Estação de Caxias/ De novo a correr/ De novo a dizer/ Tem gente com fome, tem gente com fome/ Tem gente com fome, tem gente com fome/ Tem gente com fome, tem gente com fome/ Tem gente com fome

Tantas caras tristes/ Querendo chegar em algum destino/ Em algum lugar

Sai das estações/ Quando vai parando, começa a dizer:/ Se tem gente com fome, dá de comer/ Se tem gente com fome, dá de comer,/ Se tem gente com fome, dá de comer/ Se tem gente com fome

Mas o trem irá todo autoritário/ Quando o trem parar/ Sssshhhiiiiii

(Nota: o NOSSO trem da Leopoldina, que saía de Dom Silvério e passava por Rio Doce, ao se aproximar da então capital federal, parava entre outras estações, em  Sarapuí, Cordovil, Penha, Olaria, Ramos, Bom Sucesso, Carlos Chagas, Triagem, Praia Formosa e Barão de Mauá. Em Caxias também. Nessas últimas, era o “subúrbio”, que levava trabalhadores. Favelas, antes temas de artistas, cantores, pintores, se tornaram “periferias” ou “comunidades”. Os subúrbios se metamorfosearam em “metrôs”. A Leopoldina sumiu como a fumaça de suas locomotivas).

Como ensinam os que sabem, tudo passa, tudo passa...