Rio Doce: Doces Amores, amargas dores

Por Eduardo Natali

Pingos de Chuva no telhado
Ruas Desertas de uma noite de verão
Passos rastejantes, fatigados
Pelos calçamentos molhados
Do misterioso Rincão
Parece que a brisa noturna fala algo
Vozes de pessoas que neste chão pisaram
Trabalharam, suaram, construíram
O futuro-presente que vivemos
Como nós hoje o fazemos
Ontem eles amaram, choraram
Sofreram desilusões
Hoje também o fazemos
Assim é o nosso Doce Rio Doce
Ontem, rezavam, cantavam, louvavam
Hoje também o fazemos
Amamos sem ser correspondidos
Ficamos arrependidos
Falam mal da gente
Ficamos estressados
Assim é o Rio Doce, rincão querido
De amigos fiéis, transeuntes fingidos
Povo sofrido, mas povo querido
Cada passo por estas doces ruas
Desertas quietas
Mentalmente, lembro sua bonita história
Tudo se mistura
Trem de ferro, rainha da fogueira
Santo Antônio, Sant’ Ana, Nossa Senhora!
Perco-me em sua estrada
Que loucura
Preciso de uma benção nesta procissão
Para continuar a caminhada
Como prometi ao bom José
Antônio, Virginia, Senadores...
Todos, aí de cima
Que vêem nossas dores
De um povo humilde
Mas que faz história
E bonita história
Arquivada para sempre
Em livros, acervo, arquivo, estante
Mas também em nossa memória