“Cônego Sebastião, sua igreja está ficando linda!”


Padre Roberto Natali Starlino

No céu do dia 23 de abril de 2009, quinta-feira, na hora de Pentecostes, acendeu-se uma luz. Passava um pouco das nove horas quando nasceu para o Reino do Ressuscitado a mais nova estrela. Sua última mensagem nesta terra foi um sorriso de paz e sincera alegria. E este sorriso foi sua resposta à informação que um amigo lhe dera na noite de quarta-feira: “Côn. Sebastião, sua igreja está ficando linda!”.
Sua igreja – o Santuário de Sant’Ana do Deserto – está ficando e ficará cada vez mais linda! Já se tornou, como sempre foi seu expresso desejo, “um centro de irradiação do Evangelho”. Faz jus ao seu nome que é Inácio. Inácio de ignis que, em latim, significa fogo, luz, raio luminoso. Celebremos, pois, a Páscoa deste homem ilustre, membro da ilustríssima turma de sacerdotes ordenados, na Sé de Mariana, aos 27 de novembro de 1949.
Seus últimos trinta e sete anos de vida aqui, no vale de lágrimas, ele os consagrou ao Santuário de Sant’Ana do Deserto. O trabalho dos últimos quinze anos foi o mais fecundo. Foi uma imolação lenta e, como incenso agradável subindo ao céu, plena de encanto, surpreendente em suas evoluções de bondade, admirável no poder das obras boas e na resistência às investidas do espírito do mal.
Abençoava a todas as pessoas. Suas palavras eram sempre estas:
O Senhor Jesus Cristo esteja a teu lado, para te defender; dentro de ti, para te conservar; diante de ti, para te conduzir; atrás de ti, para te guardar; acima de ti para te abençoar. Ele que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém
É bem verdade que o fim coroa a obra. Em seus últimos vinte dias, seguiu ainda muito mais de perto os passos do Senhor Jesus. Era 04 de abril de 2009. Celebrávamos, em Mariana, a Missa da Unidade, renovando nossas promessas sacerdotais e o Pe. Sebastião se encaminhava para os cuidados médicos, sentido as dores do agravamento de sua condição. O Domingo de Ramos e da Paixão foi celebrado no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte. As avaliações médicas se intensificaram diante do quadro que apontava para a necessidade de amputação da perna esquerda. Havia dor, mas era indescritível a serenidade e a paz com que o Cônego acompanhava tal situação. E, em suas poucas palavras, constatava com fé: “A morte está próxima!” E sorria.
O Tríduo Pascal foi inaugurado com a partição do corpo. O pão partido é o Corpo do Cristo. “Isto é o meu corpo que é dado por vós!” Feita a intervenção cirúrgica, vieram os dias do silêncio do Tratamento Intensivo. Sexta-feira santa. Sábado Santo. Saída do Centro de Tratamento Intensivo. Um respiro de alívio no Domingo da Ressurreição. Agora, já no apartamento do hospital, o Cônego Sebastião recebe as visitas, abençoa, anima, sorri. Mas há algo novo, um sorriso diferente, parece que queria dizer “Eu vi, eu vi o Senhor, Ele está vivo e apareceu às mulheres, aos discípulos, em Emaús, eu vi!”
Perguntado se sentia dor, responde que não mais. Não há mais dor, não há mais poder do mal nem da morte. Seu desejo, seu tudo, é o Senhor Ressuscitado. Em sua vida sacerdotal confortava os enlutados cantando sempre nos funerais: “Eu buscarei primeiro a Deus e nada mais me faltará”. E acrescentava a estrofe: “O vosso povo alegremente cantará, vossos louvores no caminho a trabalhar”. E foi com este novo espírito que dirigiu-se para o CTI, depois da oitava da Páscoa. Foi celebrar a ascensão do Senhor e a sua.
Sua Igreja está linda, Pe. Sebastião! É Pentecostes! Inácio de Moura: fogo ardente da pregação do Evangelho a todas as pessoas e, especialmente, as que ainda não encontraram o Cristo.
Deixo ainda duas considerações finais:
Uma para Noemi de Moura. As grandes mulheres da Sagrada Escritura merecem nosso louvor. E foi da Bíblia que o Côn. Sebastião tirou a inspiração para o nome de sua irmã. “Vai se chamar Noemi”, diz aos seus honrados pais, pois será uma mulher muito batalhadora e muito forte na luta. E assim o jovem profeta já indicava o valor de sua irmã. Parabéns, Noemi. Resta-lhe ainda longo caminho. Você é herdeira espiritual de um grande profeta e evangelizador.
Outra para a terra natal do Pe. Sebastião. É edificante e eloqüente o zelo com que a comunidade mantém a ordem e a limpeza do cemitério. Os restos mortais do Côn. Sebastião Inácio de Moura foram depositados ao lado direito da capela com a imagem de Nossa Senhora da Piedade, bem no alto. Um lugar de oração, de bênção, de graças, de “irradiação do Evangelho”. Romeiros e peregrinos de Sant’Ana e de Nossa Senhora da Conceição agora têm mais um digno local de encontrar-se com Deus.
Côn. Sebastião, sua Igreja está ficando linda! E… obrigado pelo sorriso!
Senhora Sant’Ana, nossa vovó, rogai a Deus, rogai por nós!

Pe. Roberto Natali Starlino
Professor no Seminário de Mariana

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